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A importância da alimentação no tratamento do doente oncológico

No âmbito da celebração do Dia Mundial do Cancro, a nutricionista Elsa Madureira explica a importância da alimentação na pessoa com cancro



No dia 4 de fevereiro assinalou-se o Dia Mundial do Cancro e importa sempre relembrar o importante papel da alimentação ao longo de toda a jornada do doente, particularmente durante o tratamento da doença. Elsa Madureira, nutricionista no Centro Hospitalar e Universitário de São João, explica que “quando uma pessoa já diagnosticada com cancro é avaliada por um profissional da nutrição são consideradas várias variáveis, pois dependendo do tipo, localização e estado da doença, os doentes com cancro têm elevado risco de malnutrição e são muito suscetíveis a mitos e desinformação no que respeita à alimentação. Por isso, durante todo o processo de tratamento da doença, doentes e cuidadores devem ser orientados sob o ponto de vista nutricional”.

Dada a importância que um bom estado nutricional tem no aumento da tolerância aos tratamentos oncológicos, uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde que cuidam diariamente de pessoas com cancro, nomeadamente uma Oncologista, uma Enfermeira e duas Nutricionistas, decidiram preparar um “Guia de Alimentação na Pessoa com Cancro”. Trata-se de uma ferramenta escrita de forma acessível e organizada de uma forma prática e intuitiva para que doentes e familiares/cuidadores possam esclarecer as suas dúvidas relativas à alimentação e gestão de sintomas durante e após os tratamentos.

Os autores do “Guia de Alimentação na Pessoa com Cancro”:

  • Drª Andreia Capela, Presidente da AICSO e Médica Oncologista no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho

  • Drª Elsa Madureira, Nutricionista no Centro Hospitalar e Universitário de São João

  • Drª Luciana Teixeira, Nutricionista no Centro Hospitalar e Universitário de São João

  • Enfª Sara Parreira, Enfermeira Coordenadora na CUF Oncologia

Este Guia foi desenvolvido pela Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) com o apoio da Danone Nutricia e da Liga Portuguesa contra o Cancro. A completar este Guia há um pequeno livro de receitas apelativas, preparadas com Suplementos Nutricionais Orais, como forma alternativa de os tomar, quando estes são recomendados. Este Guia está disponível para consulta ou download (gratuito) no site da AICSO.

É ainda importante referir que um doente com cancro tem necessidades nutricionais aumentadas. E estas necessidades têm de ser cobertas sob pena de o doente iniciar ou agravar o processo de desnutrição/malnutrição. O risco de malnutrição nestes doentes é muito elevado, quer derivado da presença do próprio tumor, quer pelos efeitos secundários dos tratamentos, que levam a falta de apetite, diminuição da ingestão alimentar ou do aproveitamento dos nutrientes ingeridos, culminando em alterações da composição corporal (perda de peso e de massa muscular). Naturalmente a ansiedade, o medo, a tristeza, a alteração das rotinas e a incerteza do futuro contribuem para a falta de apetite e diminuição da ingestão alimentar.

Mas a malnutrição (perda de peso e a massa magra acentuadas), mesmo que em doentes obesos, tem um impacto negativo. Vai levar a uma menor resistência aos tratamentos, maior risco de infeções, internamentos e complicações, o que leva a uma redução dos tratamentos ou a sua interrupção com consequente pior resultado. Portanto, a alimentação é um dos aspetos fundamentais no tratamento desta doença, sendo importante assegurar um aporte nutricional adequado, por via de uma alimentação ajustada à capacidade e tolerância do doente, à sua situação clínica, mas, também, aos seus gostos e preferências.

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