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Catástrofe ferroviária de Custóias ocupou toda a 1.ª página

Acidente na linha da Póvoa, em julho de 1964, foi amplamente noticiado pelo JN, com histórias trágicas mas também relatos de solidariedade



Fonte: JN

Carruagem sobrelotada saiu dos carris e embateu num viaduto, em Custóias, Matosinhos, matando perto de 90 pessoas. Catástrofe aconteceu numa noite de domingo.

Acidente aconteceu já depois das 22 de um domingo. Edições do JN dos dias seguintes mostraram uma capacidade impressionante de cobertura noticiosa

À data, foi o pior desastre ferroviário em Portugal: uma carruagem sobrelotada descarrilou e embateu na base de um viaduto, em Custóias, Matosinhos, ceifando a vida a perto de 90 pessoas e causando ferimentos em mais de uma centena. Era domingo, dia 26 de julho de 1964. A dimensão do acidente foi tal que o JN o descreveu como "Catástrofe ferroviária", na primeira página do dia seguinte, fazendo descer o cabeçalho para que aquele título fosse a primeira coisa a ler-se. Uma opção editorial assumida, como continua a acontecer nos dias de hoje, quando a relevância do assunto o justifica.

Mas, ao contrário de agora - em que os temas essenciais da edição são chamados à primeira página apenas através de títulos, pós-títulos e imagens -, na altura o JN ainda publicava notícias na capa do jornal. Por isso e além disso, as edições dos dias 27 e 28 dedicaram toda a primeira página ao trágico evento da linha da Póvoa, remetendo para outras páginas a continuação do noticiário.

Eram outros tempos. Não havia telemóveis nem Internet e, entre os meios de comunicação social, o nosso jornal mostrou uma capacidade impressionante de cobertura. O acidente aconteceu já depois das 22 horas, entre apeadeiros e num local ermo e pouco iluminado. Circunstâncias que se somavam às naturais dificuldades, para os repórteres, em apurar o número de vítimas e em perceber o que levou a carruagem a soltar-se da automotora.

Ainda assim, na edição do dia 27 não faltavam no JN detalhes sobre o acidente, listas com dados completos de mortos e feridos e até entrevistas, como a que fizemos ao revisor que seguia na composição. O JN encontrou-o no hospital, "com a cabeça pincelada de mercurocromo, mas falando com certa desenvoltura e à-vontade, não obstante sentir dores no peito".

À medida que o tempo ia passando, histórias e mais histórias vestiam de luto o país inteiro. "Toda uma família de cinco pessoas pereceu na catástrofe!", ou "Morreu soldado sem um dia de recruta" são títulos expressivos da fatalidade que se abateu sobre largas dezenas de pessoas.

Mas, como sempre acontece, também houve relatos de acontecimentos positivos. Veja-se este título, sobre um miúdo de seis anos: "Da amálgama de mortos e feridos sai uma criança sem uma beliscadura". Por outro lado, demos nota dos muitos anónimos que ajudaram nas operações de salvamento e da solidariedade de dez franceses que estavam no Porto e desistiram de ir a uma reunião para dar sangue às vítimas hospitalizadas.

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