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Falta de certificação e tamanho da sardinha preocupam pescadores de Matosinhos

O presidente da ProPeixe explica à TSF que Portugal esteve "num processo de recuperação de um manancial de sardinhas", o que fez com que o certificado fosse "suspenso", mas garante que atualmente "o setor está a tratar de a obter novamente"



A Organização de Produtores de Pesca Artesanal alertou esta quinta-feira para um desperdício diário de mais de 30 toneladas de sardinhas no porto de pesca de Matosinhos, afirmando que a falta de um selo ecológico tem prejudicado o setor.

Há muitas e boas, mas são pequenas. Por causa disso, e porque "os olhos não comem aquela sardinha, os olhos comem a sardinha grande", os pescadores reclamam o retorno do certificado Marine Stewardship Council (MSC) de pesca sustentável.

Quem vai à pesca diz que os clientes gostam do peixe mais graúdo, o que faz com que a lota acabe por se transformar numa "praia de sardinhas", conta à TSF Carlos Cruz, presidente da AproPesca, Organização de Produtores de Pesca Artesanal, que fala num desperdício constante.

"Estive lá no porto de pesca de Matosinhos e deparei-me com uma praia de sardinha. O que é uma praia de sardinha? Todos os barcos trouxeram sardinhas. Aqueles que chegaram em primeiro venderam, os que ficaram para o meio e para o fim já não venderam - tiveram de deitar a sardinha fora", explica, adiantando que desde maio, "a sardinha continua a mesma".

"Não aumentou o comprimento - está a mesma sardinha curta - só que tem uma situação: a sardinha tem gordura, é saborosa, mas a verdade é que os olhos não comem aquela sardinha e a sardinha grande nós não temos aqui da Figueira para o norte", justifica.

O presidente da AproPesca acrescenta ainda que o desperdício de sardinha é também provocado pela falta de um certificado que é "uma mais-valia para o setor". Trata-se de um selo de garantia atribuído ao pescado que cumpre os padrões de pesca sustentável. Este selo, conhecido como certificação MSC, garante, ainda, que as populações de peixes estão em boas condições para consumo. "Essa certificação fazia com que as conserveiras não fossem à procura de novos mercados"

"As conserveiras recomendam esse certificado e é uma maneira de eles não irem comprar sardinhas a outros países", diz, afirmando que a obtenção do MSC "era uma maneira" de o negócio não recorrer a peixe estrangeiro.

"Se nós tivéssemos essa certificação e uma vez que nós temos quota e bastante quota - neste momento não temos razão nenhuma para dizer que não temos quota suficiente para chegar ao fim do ano e não gastar a quota toda - essa certificação fazia com que as conserveiras não fossem à procura de novos mercados", insiste.

A certificação é emitida pela direção-geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e possibilita que as empresas conserveiras nacionais deixem de importar sardinhas e passem a comprar em Matosinhos. O líder da ProPeixe garante que "o setor está a tratar de obter novamente a certificação"

O problema, como explica o presidente da ProPeixe - Cooperativa de Produtores de Peixe do Norte - é que este certificado não é concedido desde 2014. Agostinho da Mata explica o motivo deste impasse e garante que tudo está a ser feito para seja recuperada.

"Houve um longo período na ordem dos sete/oito anos em que estivemos num processo de recuperação de um manancial de sardinhas e, nessa altura, [a certificação] ficou suspensa e acabou por se perder", esclarece, avançando, contudo, que, neste momento, "a sardinha está totalmente recuperada e o setor está a tratar de obter novamente a certificação".

"A certificação não é uma coisa que se peça e se obtenha, portanto, há muitos dados que ainda estão a ser cultivados para se conseguir essa certificação. Temos a certeza que vamos obtê-la, agora o timing não depende do setor, depende dos auditores e de quem avalia estas situações", justifica.

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