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Galp aposta na descarbonização da refinaria de Sines e tenta evitar desfecho como o de Matosinhos

"Vamos ter que investir muito dinheiro para reconverter a refinaria", sublinhou o CEO da petrolífera, reiterando o pedido de que a carga fiscal em Portugal seja aliviada



Segundo a fonte ECO da Sapo, o CEO da Galp apelou ao Governo e às entidades fiscais que “não taxem” os projetos da petrolífera no país, argumentando que os investimentos “têm que ser competitivos para a sobrevivência” da empresa, numa altura em que tem em curso uma estratégia “profunda” de descarbonização. Filipe Silva, discursava no Fórum da Sustentabilidade e Sociedade, esta quinta-feira, dia 11 de maio, em Matosinhos alertando que a refinaria de Sines vai ser objeto do maior investimento da petrolífera de sempre, cerca de 2,2 mil milhões de euros, e que o excesso de impostos pode comprometer a concretização desses projetos. “Nós já estamos, desde hoje, a tentar assegurar que a refinaria de Sines não sofra os mesmos desfechos que Matosinhos. Vamos ter que apostar muito dinheiro para reconverter a própria refinaria de Sines“, indicou. A petrolífera decidiu encerrar a refinaria de Matosinhos em 2020, levando ao despedimento coletivo de 114 trabalhadores. Em paralelo, apontou que os projetos têm que ser economicamente viáveis, acrescentando que parte desse dinheiro será proveniente da venda de ativos em Angola. Em fevereiro, a Galp anunciou que iria desinvestir nos ativos upstream (produção/exploração) em Angola à Sociedade Petrolífera Angolana (SOMOIL). A transação deverá ficar fechada no segundo semestre deste ano e deverá totalizar cerca de 830 milhões de euros, líquidos de impostos. “Estamos a pagar com dinheiro da Galp por esta transição energética. Vendemos os ativos em Angola porque não eram eficientes e vamos pegando nestes cashflows do negócio antigo [combustíveis fósseis] para investir em novas energias”, sublinhou o responsável, em Matosinhos. Os biocombustíveis avançados (HVO@Galp) e o hidrogénio verde (GalpH2Park) são duas das novas apostas da petrolífera que irão nascer na refinaria de Sines. Ao todo, são cerca de 486 milhões de euros que visam acelerar a transição energética da Galp. “Quando fechámos as unidades industriais em Matosinhos, as emissões da Galp caíram 25%, portanto, 75% das emissões têm que ser objeto de redução. A unidade industrial que mais emite em Portugal é em Sines. É a maior unidade de Portugal mas também tem o maior investimento em descarbonização. Vamos investir em eletrólise verde, retirar o hidrogénio para o nosso próprio processo produtivo e descarbonizar Sines”, assegurou. Além de Sines, também a refinaria de Matosinhos foi alvo de um investimento significativo pela gigante portuguesa à medida que se aproximava o dia do seu encerramento. Segundo Filipe Silva, foram deixados cerca de 700 milhões de euros nos últimos 15 anos de vida naquela unidade industrial “há medida que ia perdendo competitividade”. “Foram 700 milhões de euros que não investimos na transição energética”, atirou. “A concentração da atividade de Matosinhos em Sines também não é um silver bullet [bala de prata]. Para Filipe Silva, este processo de transição energética da petrolífera pretende ajudar a “reindustrializar Portugal”, sendo “fundamental que o país acarinhe as empresas e não seja só hotéis e restaurantes”, mas também empresas “de base e natureza industrial”. Dirigindo-se ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, o CEO pediu que não sejam tratados “de forma discriminatória” aqueles que decidem apostar em Portugal. “Estamos só a pedir que não nos taxem, que é um grande tema que a Galp tem hoje em dia. Não queremos ser discriminados negativamente, sobretudo do ponto de vista fiscal“, frisou o responsável.

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