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Parlamento discute trasladação de Florbela Espanca para o Panteão Nacional

Petição tem poeta Gonçalo Salvado como um dos promotores



A Assembleia da República admitiu discutir a possibilidade de trasladar os restos mortais da poetisa Florbela Espanca (Vila Viçosa, 1894 – Matosinhos, 1930), do seu túmulo em Vila Viçosa para o Panteão Nacional.

A notícia foi adiantada pelo semanário regionalista da Beira Baixa – “Reconquista” e surge na sequência da petição pública criada pelo poeta albicastrense Gonçalo Salvado, em 2022. Este terá sido informado de que a petição foi admitida, através de uma comunicação da Comissão de Cultura da Assembleia da República.

Do documento de que é promotor, constam “razões culturais e sociais” para justificar o pedido. “Essa possível trasladação obedecerá a toda e qualquer elementar justiça, dado que Florbela Espanca, não sendo apenas considerada como a maior poeta da língua portuguesa e o cume cimeiro do feminino poético português, impõe-se igualmente como um autêntico ícone e símbolo nacional, materializando em si, a mulher portuguesa amorosa, vocacionada para cantar, com a maior expressividade e desenvoltura, a subtileza do universo amoroso”.

Na petição, Gonçalo Salvado salienta ainda que “o percurso de vida de Florbela Espanca a tornou uma pioneira e um alto exemplo imorredouro da afirmação dos direitos da mulher numa sociedade tradicionalmente liderada pelo masculino e ignorante do valor de palavras como Liberdade”.


Florbela Espanca e Matosinhos

Florbela Espanca é uma poetisa portuguesa que viveu no início do século XX. Embora tenha nascido em Vila Viçosa, no Alentejo, a sua relação com Matosinhos está associada ao seu segundo casamento, com o médico Mário Lage, que trabalhava como clínico em Matosinhos.

Florbela casou-se com Mário Lage em 1925, e o casal fixou residência em Matosinhos. Embora a estadia de Florbela em Matosinhos tenha sido breve, apenas alguns meses, a cidade terá tido um impacto significativo na sua vida e na sua obra. É em Matosinhos que Florbela escreve parte do seu último livro, “Charneca em Flor”, que foi publicado postumamente.

Ainda em Matosinhos, Florbela enfrentou problemas conjugais e de saúde, que agravaram a sua já frágil saúde mental. A poetisa sofria de depressão e ansiedade, e chegou a ser internada numa clínica psiquiátrica em Matosinhos. Infelizmente, Florbela acabaria por cometer suicídio em Matosinhos, no dia do seu aniversário, dia 8 de dezembro de 1930, aos 36 anos de idade.

A relação entre Florbela Espanca e Matosinhos é, por isso, marcada por momentos de felicidade, mas também de tristeza e sofrimento. A relação entre Florbela Espanca e Matosinhos é, por isso, marcada por momentos de felicidade, mas também de tristeza e sofrimento. No entanto, a cidade ficou para sempre ligada à vida e obra da poetisa, através do nome atribuído à Biblioteca Municipal e do busto, da autoria da escultora Irene Vilar, que se encontra no Jardim da Rua Ló Ferreira.

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