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Subida da taxa dos ossários deixa matosinhenses revoltados

Vários matosinhenses compareceram na reunião pública do executivo municipal, que teve lugar em Guifões, na tarde desta quarta-feira, para contestar o aumento da taxa de utilização dos ossários nos cemitérios municipais, que subiu para o triplo. Queixam-se do desrespeito por parte da Autarquia e dão conta das dificuldades em pagar o valor


Crédito: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

"Eu não consigo pagar este valor. Deixo de comprar medicamentos que preciso para pagar estas despesas. Com decisões destas, ainda nos põem mais de rastos", relatou uma dos presentes, descontente com a medida.

Assegurando que "o aumento não é para gerar receita ao município, mas que se reflete no serviço que é prestado e nas recentes obras", o vice-presidente da Câmara de Matosinhos, Carlos Mouta, afirmou que "os munícipes estavam a pagar valores de uma realidade com mais de dez anos".

Os matosinhenses pagavam 12,98 euros por ano por ocuparem os ossários nos cemitérios, sendo que o valor foi atualizado em 2023 para 36,50 euros. O valor aplicado aos columbários (para depósitos de cinzas) também aumentou, subindo de 10,28 para 28,50 euros. O acréscimo na fatura aplica-se apenas aos utilizadores do cemitério de Sendim e de S. Mamede de Infesta, onde foram realizadas requalificações.

Como vários residentes expuseram na reunião, a maioria dos utilizadores "já têm uma idade elevada e vive de reformas reduzidas", o que torna o aumento mais "assustador". "Se não cumprirmos o prazo da fatura, somos confrontados com juros. O pagamento devia ser facultativo ou dividido, para dar mais condições às pessoas com dificuldades", declarou um dos queixosos.

Os munícipes queixaram-se ainda da falta de um aviso prévio. Em nota de esclarecimento enviada ao JN, e conforme noticiado anteriormente, a Autarquia contesta a falta de um aviso à população, dizendo que os munícipes foram "avisados por carta e pelos meios oficiais a que obriga a lei".

O vereador Vasco Pinho, que tem o pelouro da Gestão Financeira e Auditoria, esclareceu que o pagamento vai continuar nos valores anunciados em 2023, mas que vai ser feita uma revisão para que a situação mude no futuro: "Infelizmente não podemos retroagir. Mas vamos rever e talvez nos próximos anos reconsiderar o valor".

Rebatendo as críticas de que a medida era exclusiva do território matosinhense, Vasco Pinho esclareceu que o mesmo aconteceu nos municípios vizinhos: "Não fomos diferentes do Porto. Só que lá o aumento foi gradual ao longo dos anos. Em Matosinhos não aconteceu isso", acrescentou, rebatendo as críticas.

"Uma vez que há investimento e a taxa aumenta pelo serviço prestado, acho que a Câmara devia passar a ser responsável pelos frequentes roubos de floreiras que nos trazem tanto prejuízo", propôs um dos intervenientes.

O vice-presidente informou que vão procurar uma forma de atenuar as quantias cobradas e, nesse sentido, levar uma proposta a reunião do executivo.

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