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Das Cordas do Violino ao Ecrã: O Percurso de Francisco Tavares

há 1 hora
2 min de leitura

Antes de ser o rosto familiar que entrava pelas salas de estar de milhares de portugueses, Francisco era apenas um menino rodeado por ecos musicais. A música nunca foi uma escolha deliberada, mas sim uma presença tão natural como a respiração: o seu pai, violinista amador, trazia a harmonia para dentro de casa, fazendo com que o mundo ao seu redor parecesse sempre ter uma melodia de fundo.

A jornada começou verdadeiramente em Aveiro. O primeiro encontro com as cordas deu-se pela mão do professor Américo Amaral. Depois do violino veio o acordeão, e mais tarde o piano, no Conservatório Regional de Aveiro Calouste Gulbenkian, onde estudou como bolseiro da Fundação Gulbenkian. Mas, apesar da cumplicidade com as teclas, o violino manteve-se sempre como a sua raiz mais profunda — aquele amor de uma vida com o qual mantinha uma amizade intimista e silenciosa. A decisão de ingressar no Conservatório marcou o ponto de viragem, selando o seu destino.

As primeiras audições escolares, vividas com grata nostalgia, deram lugar a palcos maiores. Contudo, a grande reviravolta da sua vida profissional deu-se no lendário Coliseu do Porto. A convite de António Ferro, e com o apoio do Eng. António Barros, Francisco juntou-se ao pianista Luís Cerdoura para organizar a Orquestra do Salão Jardim do Coliseu do Porto, resgatando repertórios do início do século XX.

E foi dessa orquestra que nasceu o salto para o desconhecido.

Na noite de 31 de dezembro de 1997, a orquestra atuou no programa de Fim de Ano da RTP. O impacto foi imediato: seguiu-se o convite de Paulo Tavares para uma participação na Praça da Alegria. O que era para ser uma aparição pontual transformou-se numa rotina diária quando o Arq. Castro Ribeiro o desafiou a ficar ao piano. Dois anos depois, Francisco fundou a banda do programa e, mais tarde, uma nova formação para o formato vespertino Portugal no Coração.

De um dia para o outro, o anonimato dissolveu-se. A televisão tirou-lhe a privacidade da rua, mas deu-lhe algo infinitamente maior: uma imensa família de telespectadores. Ao longo de anos no pequeno ecrã, conviveu e partilhou palco com os maiores nomes da música portuguesa, aprendendo com os mestres consagrados e inspirando os mais jovens. A exposição na televisão ensinou-o a dominar os nervos, substituindo a ansiedade antes de cada atuação por uma calma e madura responsabilidade.

Hoje, olhando para trás e para o presente, Francisco valoriza o que a música lhe deu — a paz interior, a alegria incomparável de viver do que ama e a dignidade do seu trabalho. Mas o seu papel não se esgota nas memórias. Na escola Fermúsica, em Vila Nova de Gaia, ele leciona e passa o testemunho às novas gerações, plantando as sementes para que futuros violinistas continuem a dar som ao mundo.

E quando lhe perguntam como gostaria de ser recordado, a resposta resume a sua essência: com o mesmo carinho sincero com que as pessoas ainda hoje o abordam na rua, e com a certeza de ter feito germinar a música no coração dos outros. Quanto aos sonhos por concretizar? Esses continuam bem vivos — e prometem ser revelados brevemente.

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