Espetáculo Esquecimento Global: afinal quem é o “malandro” na “ópera” que vivemos?
Peça, da autoria de José Nunes e de Luca Argel, estreia-se dia 6 de novembro no Teatro Municipal de Matosinhos, neste que é um regresso da Casa às produções próprias. Espetáculo parte de uma adaptação livre da Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, e da Ópera do Malandro, de Chico Buarque.

Esquecimento Global, produção própria do Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, estreia-se dia 6 de novembro e fica em cena até dia 8 de novembro. O espetáculo é dirigido e escrito conjuntamente por José Nunes, diretor artístico do Teatro Municipal de Matosinhos, e pelo músico Luca Argel.
A peça parte de uma adaptação livre da Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, e da Ópera do Malandro, de Chico Buarque, tendo como inspiração algumas das personagens e também o contexto cénico que toca nesses universos. As duas obras serviram de ponto de partida para imaginar uma narrativa completamente nova ligada ao contexto atual da sociedade portuguesa e a essa necessidade de reavivar o teatro político de Brecht.
Não só a palavra ganha peso, como a música, que tem um papel fundamental na peça, surge enquanto mecanismo de efeito de distanciamento relativamente à narrativa (na Ópera dos Três Vinténs esse exercício de Brecht e Kurt Weill é evidente). A composição musical do espetáculo é original e da autoria de Luca Argel que a interpreta ao vivo, juntamente com uma banda constituída por três outros músicos, nesta que é a sua primeira experiência em teatro.
Tal como na Ópera do Malandro, que também vai “beber” à Ópera dos Três Vinténs, em Esquecimento Global há uma história de amor, desta feita “luso-brasileira”, que surge inesperadamente no seio de uma família portuguesa e que vai ser dificultada por determinadas circunstâncias. Por entre essa relação “Romeu/Julieta”, outras questões mais profundas sobre o contexto social se levantam, nomeadamente no que toca ao preconceito, à xenofobia e ao facto de ideias populistas, que são partilhadas no espaço público sem qualquer fundamento, se tornarem verdades inabaláveis, só por serem repetidas muitas vezes.
Todas as personagens da peça acabam por revelar contradições entre as suas ideologias e as suas ações, vagueando entre o seu lado de luz e o seu lado mais sombrio. As condições de trabalho que são oferecidas a quem procura o nosso país para refazer a sua vida, a exploração dos mais fracos, a forma como os media e as redes sociais abordam assuntos tão delicados de forma superficial e como a imigração é encarada e recebida são questões muito presentes no espetáculo, convocando o público a refletir sobre o caminho que está ser trilhado. Parafraseando uma das personagens no decorrer da peça: “Integrou-se ou entregou-se”?
O elenco luso-brasileiro é composto por Allex Miranda, Francisca Sobrinho, Genário Neto, Júlia Prado, Luca Argel, Rodrigo Santos e Vicente Gil. As sessões de 6 e 7 de novembro são às 21h30 e a de 8 de novembro, às 16h00.
O preço dos bilhetes é de 7,50 euros. Após a estreia em Matosinhos, a peça vai ser apresentada no Teatro Municipal da Covilhã (27 de novembro) e no Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), no dia 12 de dezembro.
Créditos: Egídio Santos





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