Leça da Palmeira emite parecer desfavorável ao Plano Estratégico 2025-2023 para o Porto de Leixões
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Saiba aqui as razões pela qual a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira emite um parecer desfavorável relativamente ao projeto de Ampliação e Reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, no âmbito do Plano Estratégico 2025-2035.

Através de um comunicado, a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira torna pública a sua posição relativamente ao projeto de Ampliação e Reorganização do Terminal de Contentores Norte do Porto de Leixões, no âmbito do Plano Estratégico 2025-2035 e da Avaliação de Impacte Ambiental atualmente em consulta pública.
Apesar de reconhecer a importância estratégica do Porto de Leixões para a economia regional e nacional, a Junta de Freguesia considera, contudo, que o projeto apresentado representa impactos negativos de elevada magnitude para a população, o território e a identidade de Leça da Palmeira.
Dessa análise resulta um parecer desfavorável, sustentado nos seguintes pontos:
"1. Eliminação da Marina Porto Atlântico
A área ocupada pela marina será integralmente absorvida pelo novo terrapleno e cais do terminal. Não existe qualquer solução de relocalização definida, financiada ou calendarizada.
A eventual deslocação para o Molhe Sul ou outras localizações implicaria perda de capacidade e perda de centralidade náutica.
2. Impacto económico no comércio e restauração locais
A marina é um gerador diário de fluxos turísticos, desportivos e técnicos.
A sua eliminação reduzirá a procura que sustenta parte significativa dos negócios da zona,
incluindo restauração e serviços ligados às atividades náuticas.
3. Impactes visuais e paisagísticos muito significativos
O Estudo de Impacte Ambiental reconhece a forte intrusão visual dos novos pórticos, contentores e estruturas de grande volumetria.
Estas alterações serão visíveis da marginal, praias, Piscinas das Marés e Casa de Chá da Boa Nova, alterando de forma definitiva a paisagem costeira.
4. Acréscimo de tráfego pesado e agravamento da mobilidade
As projeções indicam que poderão circular até 800.000 camiões/ano em 2040 caso o projeto avance.
O aumento da pressão sobre a A28 e vias urbanas não é acompanhado de soluções estruturantes, como uma nova travessia sobre o porto ou alternativas de mobilidade eficazes.
5. Riscos ambientais associados a dragagens e sedimentos contaminados
As dragagens previstas para instalação e manutenção do terminal podem ressuspender partículas contaminadas.
Não existe programa complementar de descontaminação do estuário do rio Leça, lacuna há muito identificada como prioritária.
6. Ameaças ao património construído e simbólico
O Forte de Nossa Senhora das Neves e o “Titã” poderão ser afetados por vibrações, alterações do solo e cargas funcionais associadas à expansão.
O projeto não demonstra garantias suficientes de proteção destes elementos históricos.
7. Falta de demonstração de necessidade proporcional aos impactos
Os dados apresentados não comprovam que o crescimento projetado justifique uma
intervenção tão intrusiva.
Alternativas técnicas, nomeadamente expansão para mar profundo, não foram devidamente
consideradas.
8. Comprometimento do equilíbrio porto–cidade
A intervenção rompe com um século de convivência harmoniosa entre a atividade portuária
e a vivência urbana, comunitária e marítima de Leça da Palmeira.
Os valores identitários, culturais e paisagísticos da freguesia ficam ameaçados de forma irreversível."
Com base nesta análise, realizada pelos órgãos políticos da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, foi submetido oficialmente no portal participa.pt o parecer desfavorável relativo ao projeto em avaliação, reafirmando o seu compromisso com um modelo de desenvolvimento portuário sustentável, equilibrado e respeitador do território e da comunidade.





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