Mobilidade, ambiente e qualidade de vida no centro das prioridades para Lavra
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- há 7 horas
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Poucos meses após a tomada de posse da nova Junta de Freguesia, entrevistámos
João Torres, Presidente da Junta de Freguesia de Lavra, para fazer um balanço dos primeiros tempos de mandato e conhecer a visão que tem para o futuro da freguesia.
Nesta conversa, o autarca aborda os desafios decorrentes da recuperação da autonomia administrativa de Lavra, as principais preocupações dos habitantes, as prioridades de investimento e os projetos que considera fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população. A mobilidade, a preservação ambiental, a valorização das tradições ligadas ao mar e à agricultura, bem como o reforço da proximidade entre a Junta e os cidadãos, são alguns dos temas em destaque.
Com uma perspetiva voltada para o futuro, João Torres defende uma Lavra mais sustentável, qualificada e coesa, capaz de preservar a sua identidade enquanto responde aos desafios das próximas décadas.

1. Tomou posse em novembro de 2025. Qual foi a primeira prioridade que definiu para Lavra?
A primeira prioridade foi garantir uma transição organizada e responsável após a separação da antiga união de freguesias. Era fundamental criar condições para que Lavra tivesse uma Junta plenamente operacional, próxima das pessoas e capaz de responder aos problemas do dia a dia.
Ao mesmo tempo, definimos desde o início uma linha muito clara, ouvir a população, identificar as necessidades mais urgentes e começar a trabalhar em soluções concretas. A proximidade, a organização dos serviços e a valorização da identidade de Lavra foram, desde o primeiro momento, prioridades centrais deste mandato.
2. Quais foram os maiores desafios destes primeiros meses?
O maior desafio foi, naturalmente, estruturar uma freguesia que voltou a ter autonomia administrativa. Isso implica reorganizar serviços, recursos, equipas, procedimentos e criar uma dinâmica própria, sem perder capacidade de resposta às necessidades da população.
Outro desafio importante foi gerir as expectativas das pessoas. A população de Lavra tem muitas ambições legítimas para a sua terra, e nós partilhamos essa vontade de fazer mais e melhor. Mas também sabemos que é preciso planear, definir prioridades e trabalhar com responsabilidade, em articulação com o Município e com as várias entidades do território. Este é um processo de melhoria contínua.
3. Que áreas necessitam ainda de maior investimento após a separação da antiga união de freguesias?
Há várias áreas que exigem atenção. Destacaria a manutenção do espaço público, a mobilidade, os equipamentos coletivos, o apoio às associações e a valorização das zonas naturais e costeiras da freguesia.
Lavra tem características muito próprias. É uma freguesia com frente de mar, zonas agrícolas, núcleos habitacionais, património natural e uma identidade comunitária muito forte. Por isso, o investimento tem de ser equilibrado, respondendo às necessidades do quotidiano, mas também preparando a freguesia para o futuro.
4. Quais são atualmente as principais preocupações dos habitantes de Lavra?
As principais preocupações estão muito ligadas à qualidade de vida, mobilidade, transportes públicos, segurança rodoviária, limpeza urbana, manutenção de espaços públicos e acesso a serviços.
Também sentimos uma preocupação crescente com a preservação ambiental, com a valorização da costa e com a necessidade de criar melhores condições para os jovens, para as famílias e para a população sénior. Lavra é uma freguesia com muito potencial, mas esse potencial tem de se traduzir em respostas concretas para quem aqui vive todos os dias.
5. Existem projetos para melhorar a mobilidade e os transportes na freguesia?
Sim. A mobilidade é uma das áreas que consideramos prioritárias. Temos vindo a defender uma melhoria da oferta de transportes públicos, melhores ligações dentro da freguesia e uma articulação mais eficaz com ao centro de Matosinhos.
Para além dos transportes, há também um trabalho a fazer ao nível da segurança rodoviária, dos passeios, da acessibilidade pedonal e da criação de condições para uma mobilidade mais sustentável. A Junta tem um papel reivindicativo e de proximidade, levando ao Município e às entidades competentes as necessidades concretas que nos são transmitidas pela população.
6. Como está a ser trabalhada a proximidade entre a Junta e os cidadãos?
A proximidade não pode ser, nem foi, apenas uma palavra de campanha. Tem de ser uma prática diária. Temos procurado estar no terreno, ouvir as pessoas, visitar lugares, acompanhar problemas e responder com rapidez sempre que possível.
Queremos uma Junta de porta aberta, mas também uma Junta que sai à rua. A relação com as associações, coletividades, escolas, instituições sociais e população em geral é essencial. Só conhecendo de perto os problemas conseguimos encontrar melhores soluções.
Também reforçamos os canais digitais e a comunicação institucional, para que os lavrenses saibam o que está a ser feito, como podem participar e de que forma podem chegar aos serviços da Junta de Freguesia.
7. Lavra possui uma forte ligação ao mar e às zonas naturais. Como conciliar desenvolvimento e preservação ambiental?
Lavra tem no mar, na costa e nas suas zonas interiores uma das suas maiores riquezas. O desenvolvimento da freguesia tem de respeitar essa identidade. Não podemos olhar para o ambiente como um obstáculo ao desenvolvimento, pelo contrário, a preservação ambiental e da ruralidade é uma condição para um desenvolvimento sustentável e inteligente.
Temos de valorizar a frente marítima, proteger os espaços naturais, promover boas práticas ambientais e envolver a comunidade nesse esforço. O futuro de Lavra passa por saber aproveitar o seu potencial sem descaracterizar aquilo que a torna única.
8. A pesca continua a ser um elemento importante da identidade de Lavra. Que iniciativas existem para valorizar essa tradição?
A pesca faz parte da história, da cultura e da identidade de Lavra. Valorizar essa tradição é valorizar as pessoas, as famílias e as gerações que construíram uma parte importante da nossa comunidade em torno do mar, não esquecendo também a agricultura.
Queremos promover iniciativas que deem visibilidade à pesca tradicional, à gastronomia local, às memórias ligadas ao mar e ao papel dos pescadores na história da freguesia. Isto pode passar por eventos, atividades culturais, projetos educativos com as escolas, roteiros locais e ações de promoção da identidade marítima de Lavra.
Preservar esta tradição não significa olhar apenas para o passado. Significa também criar novas formas de a transmitir às gerações mais jovens.
9. Que papel podem ter o turismo e a valorização cultural no desenvolvimento da freguesia?
Podem ter um papel muito importante, desde que sejam pensados com equilíbrio e respeito pela comunidade local. Lavra tem património natural, história, gastronomia, ligação ao mar, tradições agrícolas e uma localização privilegiada.
O turismo não deve ser visto apenas como visitação, mas como uma oportunidade para dinamizar a economia local, apoiar o comércio, valorizar produtores, promover associações e reforçar o orgulho dos lavrenses na sua terra.
A valorização cultural é também essencial para afirmar Lavra no concelho e na região. Temos uma identidade própria e queremos que essa identidade seja reconhecida, preservada e projetada para o futuro.
10. O que o motivou a candidatar-se à presidência da Junta de Lavra?
O que me motivou foi o amor por Lavra e a vontade de servir a minha terra. Conheço bem a freguesia, as suas pessoas, as suas potencialidades e também os seus problemas. Senti que podia contribuir com trabalho, dedicação e uma visão de futuro.
A candidatura nasceu de um sentido de responsabilidade. Lavra precisava de uma liderança próxima, presente e determinada em defender os seus interesses. Assumi esse compromisso com humildade, mas também com muita convicção.
Ser Presidente da Junta é, acima de tudo, estar ao serviço das pessoas.
11. O que gostaria que os lavrenses dissessem sobre o seu mandato daqui a quatro anos?
Gostaria que dissessem que foi um mandato de proximidade, trabalho e compromisso. Que sentiram a Junta presente, que viram melhorias concretas na freguesia e que perceberam que houve uma preocupação verdadeira com as pessoas.
Naturalmente, nem tudo se resolve num mandato, mas gostaria que os lavrenses reconhecessem que houve rumo, dedicação e seriedade. Que Lavra ganhou voz, ganhou autonomia e ganhou confiança no seu futuro.
12. Como imagina Lavra em 2030?
Imagino Lavra mais qualificada, mais sustentável, mais coesa e mais orgulhosa da sua identidade. Uma freguesia que preserva a sua ligação ao mar e à natureza, mas que também investe na modernização, na mobilidade, nos equipamentos e na qualidade de vida.
Vejo Lavra como uma terra onde os jovens queiram ficar, onde as famílias encontrem boas condições para viver, onde os idosos se sintam acompanhados e onde as tradições continuem vivas.
Em 2030, gostaria que Lavra fosse reconhecida como uma freguesia com identidade própria, com capacidade de afirmação e com uma comunidade unida em torno do seu futuro.












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