Paulo Carvalho: Liderar Matosinhos com proximidade e visão
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- há 6 dias
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Governar uma freguesia é estar próximo das pessoas e responder aos desafios do dia a dia. É essa visão que Paulo Carvalho partilha nesta entrevista, onde fala dos projetos que estão a transformar Matosinhos e revela as prioridades para os próximos anos. Da valorização do espaço público ao apoio social, passando pela cultura, pelo ambiente e pela participação cívica, o presidente da Junta explica como pretende continuar a fazer de Matosinhos uma freguesia cada vez mais atrativa e preparada para o futuro.

Depois da criação da nova Freguesia de Matosinhos, quais foram os maiores desafios encontrados nos primeiros meses de mandato?
Os primeiros meses foram muito exigentes, com a reorganização dos serviços, a criação da nova estrutura da freguesia e a preparação dos instrumentos necessários ao seu funcionamento.
O maior desafio foi garantir que esta transição não afetasse a qualidade dos serviços prestados à população. Hoje, considero que conseguimos ultrapassar essa fase com sucesso, construindo uma Junta mais próxima, mais eficiente e mais preparada para responder às necessidades dos matosinhenses.
Que balanço faz deste início de funções enquanto presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos?
Desde o primeiro dia, a nossa prioridade foi garantir uma Junta de Freguesia próxima das pessoas e assegurar que a transição para a nova freguesia decorresse sem afetar a qualidade dos serviços.
Ao mesmo tempo, temos procurado criar respostas para as necessidades da comunidade, como o projeto +Apoio, e reforçar a intervenção social e a proximidade aos cidadãos. É esse o caminho que queremos continuar a seguir: uma Junta cada vez mais próxima, eficiente e atenta às pessoas.
Quais são as três principais prioridades para os próximos quatro anos?
As nossas prioridades são claras: continuar a apoiar as pessoas, melhorar o espaço público e reforçar a proximidade com a comunidade. Queremos uma Junta cada vez mais moderna, eficiente e, acima de tudo, próxima dos cidadãos.
Que projetos considera fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos matosinhenses?
As Grandes Opções do Plano têm um objetivo claro: melhorar a qualidade de vida dos matosinhenses, através do reforço do apoio às pessoas, da valorização do espaço público e da promoção de uma freguesia mais inclusiva, sustentável e participativa.
Como pretende aproximar ainda mais a Junta da população?
A proximidade constrói-se estando presente no terreno, ouvindo as pessoas e levando a Junta ao encontro da comunidade. É essa a lógica de iniciativas como a Presidência Aberta e dos projetos que desenvolvemos junto das famílias, dos seniores e das associações.
Ao mesmo tempo, queremos uma comunicação mais moderna, transparente e acessível, que informe, promova a participação e reforce a confiança dos cidadãos. Esse é o compromisso de uma Junta verdadeiramente próxima das pessoas.
O acesso à habitação continua a ser uma preocupação em Matosinhos. Que papel pode desempenhar a Junta?
A habitação é um desafio crescente. Embora a Junta não tenha competências diretas, continuará a apoiar as famílias e a defender um maior papel das freguesias na resposta a esta realidade.
Que medidas estão previstas para apoiar idosos, famílias vulneráveis e pessoas em situação de isolamento?
O apoio aos idosos, às famílias vulneráveis e às pessoas em situação de isolamento é uma prioridade. Continuaremos a reforçar projetos de proximidade e a trabalhar em rede com as instituições do concelho, para garantir respostas eficazes e assegurar que ninguém fica sem o apoio de que necessita.
Matosinhos tem uma forte identidade ligada ao mar e à pesca. Como pretende preservar esse património?
A nossa estratégia passa por valorizar essa identidade em várias dimensões.
Queremos preservar a memória das nossas comunidades piscatórias, apoiar as associações ligadas ao mar, promover iniciativas que mantenham vivas as tradições e transmitir esse legado às gerações mais novas. É fundamental que os nossos jovens conheçam a história daqueles que fizeram de Matosinhos uma referência nacional ligada ao mar.
Ao mesmo tempo, queremos afirmar essa identidade através da cultura e dos grandes eventos. Continuaremos a apoiar iniciativas como o Festival "Arroz de Sardinha – Matosinhos, Terra de Mar e Sabores", as celebrações ligadas às tradições marítimas, as exposições, os encontros culturais e todas as atividades que valorizem a nossa história e projetem Matosinhos para o futuro.
Mas preservar o património não significa viver apenas do passado. Significa também cuidar do nosso litoral, valorizar a frente marítima, apoiar quem continua ligado às atividades do mar e promover um desenvolvimento sustentável que respeite a nossa identidade.
O mar continuará a ser um motor económico, social, cultural e turístico de Matosinhos, e devemos saber conciliar essa dinâmica com a preservação daquilo que nos torna únicos.
O orçamento disponível é suficiente para responder às necessidades da freguesia?
Temos procurado gerir os recursos públicos com rigor, transparência e responsabilidade, definindo prioridades e investindo onde conseguimos gerar maior impacto na vida das pessoas. Esse continuará a ser o nosso compromisso.
Sou um defensor de uma maior descentralização de competências, quer por parte do Estado, quer dos municípios.
A experiência demonstra que, quando as freguesias dispõem das competências e dos recursos adequados, conseguem prestar um serviço mais próximo, mais célere e mais ajustado às necessidades reais das populações. Conhecemos o território, conhecemos as pessoas e temos capacidade para decidir e atuar com rapidez. Essa é a grande força do poder local de proximidade.
Naturalmente, esta descentralização tem de ser acompanhada pelos respetivos recursos financeiros, humanos e técnicos. Não basta transferir competências; é indispensável transferir também os meios para as exercer com qualidade e responsabilidade.
Defendo igualmente uma revisão da Lei das Finanças Locais e um reforço do Fundo de Financiamento das Freguesias, garantindo uma distribuição mais justa dos recursos e uma maior autonomia financeira.

Sendo Vice-Presidente da ANAFRE, qual a importância desta Associação e qual o balanço que faz deste mandato?
É uma enorme honra e uma grande responsabilidade integrar a direção nacional da ANAFRE enquanto Vice-Presidente.
Encaro estas funções não como um reconhecimento pessoal, mas como o reconhecimento do trabalho desenvolvido em Matosinhos e da importância que o poder local tem na vida das pessoas. É também motivo de orgulho para Matosinhos ver um dos seus autarcas assumir estas responsabilidades a nível nacional.
Embora este mandato ainda esteja no seu início, o balanço é muito positivo. Temos desenvolvido um trabalho de proximidade com as freguesias de todo o país, reforçado o diálogo institucional com o Governo e apresentado propostas concretas para melhorar o funcionamento do poder local.
Entre as prioridades que temos vindo a defender destacam-se a revisão da Lei das Finanças Locais, o reforço do Fundo de Financiamento das Freguesias, a revisão do Estatuto dos Eleitos Locais, um maior acesso das freguesias aos fundos europeus e uma descentralização mais ambiciosa, sempre acompanhada dos respetivos recursos financeiros, humanos e técnicos.
Acredito profundamente que as freguesias fazem parte da solução para muitos dos desafios que o país enfrenta. São elas que conhecem melhor o território, que identificam mais rapidamente os problemas e que conseguem responder com maior proximidade, rapidez e eficácia às necessidades das populações.
Qual é o projeto que gostaria que ficasse associado ao seu nome quando terminar o mandato?
Sinceramente, espero que o meu mandato seja recordado pela forma como servimos as pessoas e não por uma obra em particular. Gostava que dissessem que encontraram uma Junta mais próxima, mais humana, mais disponível e mais capaz de responder às necessidades da comunidade.
Mas, se tivesse de escolher apenas um projeto, escolheria, sem hesitar, o Vivências Seniores. Porque este projeto representa muito daquilo em que acredito.
Representa o respeito por aqueles que ajudaram a construir Matosinhos, por aqueles que trabalharam uma vida inteira para que hoje tivéssemos a freguesia que temos, por aqueles que nos transmitiram valores, conhecimento e identidade.
O Vivências Seniores é muito mais do que um conjunto de atividades. É um projeto de dignidade, de inclusão, de combate ao isolamento e de promoção do envelhecimento ativo. É um projeto que procura devolver aos nossos seniores aquilo que tantas vezes lhes falta: a companhia, participação, autoestima e alegria de viver.
Ao longo deste percurso tenho assistido a histórias extraordinárias. Pessoas que voltaram a sair de casa, que recuperaram amizades, que descobriram novas capacidades, que voltaram a sorrir e a sentir-se úteis. E acredito sinceramente que não existe maior recompensa no exercício de funções públicas do que perceber que conseguimos melhorar a vida de alguém.
Se um dia olharem para trás e disserem que o Vivências Seniores ajudou a fazer pessoas mais felizes, então sentirei que deixámos um legado verdadeiramente importante. Porque, no fim de contas, a maior obra que um autarca pode deixar não é feita de betão. É feita de pessoas.
É feita de vidas que conseguimos tocar e transformar.
A nossa maior ambição é acrescentar vida aos anos e não apenas anos à vida.
Como imagina Matosinhos daqui a quatro anos?
Gostava que, daqui a quatro anos, os matosinhenses sentissem que vivem numa freguesia mais cuidada, mais limpa, mais segura e mais próxima. Uma freguesia onde os espaços públicos convidam à convivência, onde as associações continuam fortes, onde a cultura e o desporto fazem parte do dia a dia e onde existe orgulho em pertencer a esta comunidade.
Espero também que Matosinhos seja reconhecido pela sua capacidade de cuidar das pessoas. Que sejamos uma referência nacional na promoção do envelhecimento ativo, na saúde comunitária, no apoio às famílias, na inclusão e no trabalho em rede entre as instituições. Gostava que os projetos que hoje estamos a consolidar fossem vistos como exemplos de boas práticas e inspirassem outras freguesias do país.
Quero uma freguesia onde os jovens encontrem oportunidades para participar e construir o seu futuro, onde os nossos seniores vivam com mais qualidade de vida, onde as famílias sintam que têm uma Junta disponível para as apoiar e onde ninguém fique para trás.
Mas, acima de tudo, imagino um Matosinhos onde as pessoas sintam que vale a pena viver. Uma freguesia que continua a honrar a sua história, as suas gentes do mar, as suas tradições e a sua identidade, mas que olha para o futuro com ambição, inovação e confiança.
O meu sonho é que Matosinhos seja reconhecido não apenas pelas suas praias, pela sua gastronomia ou pela sua ligação ao mar, mas sobretudo pela forma como cuida das pessoas.
Porque uma grande freguesia não é aquela que tem os maiores edifícios ou os maiores investimentos, mas sim aquela onde as pessoas vivem melhor, sentem que pertencem à comunidade e têm orgulho em dizer: "Eu sou de Matosinhos".




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