Miguel Meneses é o vencedor do concurso de cozinha Troféu Portugal 2026
O chefe Miguel Meneses, representante da região Centro, é o vencedor da 6.ª edição do Troféu Portugal, concurso de cozinha dedicado à gastronomia portuguesa e à valorização dos produtos e sabores regionais.

A grande final realizou-se ontem 5 de outubro, no Jardim Senhor do Padrão, em Matosinhos, integrada na programação do evento Out Of The Blue, da C.M de Matosinhos, Cidade Criativa da UNESCO. Numa disputa renhida frente ao chefe Luís Lopes, representante das regiões do Alentejo e Ribatejo, o chefe Miguel Meneses conquistou o júri com a apresentação do prato “Caldeirada da Foz das Beiras”.
“Senti muito orgulho assim que ouvi o nome! Orgulho das pessoas que trago comigo, da região e, acima de tudo, muita felicidade pelo resultado final. A caldeirada sempre esteve muito presente na minha vida e na minha família. Representa muito bem as Beiras e, ao mesmo tempo, estava ligada à minha história. O prato representava exatamente aquilo que eu pretendia transmitir”, afirmou o vencedor.
Miguel começou a sua carreira em cozinha na Taverna TiJoão, na Figueira da Foz, onde chefiou a cozinha. Depois dessa experiência, integrou o Grupo Plateform onde passou por vários restaurantes. Logo depois mudou-se para o Grupo Vips para fazer a primeira internacionalização do projeto. De seguida, passou Taberna Albricoque. Nos últimos dois anos, chefiou o Douro Palace Hotel Resort & Spa.
O Troféu Portugal é um concurso de cozinha que tem como objetivo promover a gastronomia portuguesa, valorizando a diversidade dos territórios, os produtos regionais e os profissionais que lhes dão vida. Na edição deste ano, o mar assumiu o papel de protagonista. A escolha de Matosinhos como cidade anfitriã refletiu essa ligação: profundamente marcada pelo Atlântico, pela tradição piscatória e pela indústria conserveira, a cidade construiu ao longo dos séculos uma identidade que se estende à sua gastronomia e à forma como os seus habitantes se relacionam com o mar.
A competição reuniu representantes de oito regiões: Porto, Lisboa, Norte, Centro, Alentejo e Ribatejo, Algarve, Madeira e Açores.
Participaram na edição:
Porto: Hugo Portela, Restaurante Cibû, Matosinhos
Lisboa: Mauro Álison, Moita
Norte: Helena Castro, Restaurante Cambo, Ponte de Lima
Centro: Miguel Meneses, Viseu
Alentejo e Ribatejo: Luís Lopes, M’ar de Ar Hotels, Évora
Algarve: Nuno Martins, Restaurante Numa, Portimão
Madeira: Sofia Gonçalves, Royal Savoy Resort, Funchal
Açores: Paulo Costa, Restaurante Caldeiras & Vulcões, São Miguel
Ao longo de três dias, os concorrentes disputaram o acesso à final num formato de liga. Durante os dois primeiros dias, enfrentaram-se em quatro provas, sendo apurados os dois participantes com maior pontuação para a grande final, realizada perante o júri e o público.
Em cada prova, os concorrentes foram desafiados a criar um prato que respeitasse o tema da edição e, simultaneamente, traduzisse a identidade do território que representavam. O pescado tinha de ser obrigatoriamente o ingrediente principal.
A avaliação esteve a cargo de um painel composto por profissionais de reconhecido percurso na gastronomia portuguesa: o chefe Louis Anjos, do Verdelago Resort, que assumiu a presidência do júri; a chefe Manuela Brandão, do Restaurante Pap’Açorda; a investigadora Olga Cavaleiro; a chefe Margarida Rego, do Terramay; a chefe Catarina Correia, do Restaurante Casa de Chá da Boa Nova - duas estrelas Michelin e o chefe Duarte Eira, do Restaurante Salpoente e vencedor do Troféu Portugal em 2019. O chefe António Queiróz Pinto, do Taberna Lura e vencedor da edição de 2025, integrou o painel na qualidade de jurado observador.
“Foi uma edição muito bem disputada, em que todos os concorrentes representaram muito bem as suas regiões. Foi uma final muito equilibrada, onde se sentiu, de forma muito forte, o orgulho por cada região e um esforço imenso de todos para se superarem. O resultado acabou por ditar aquele que foi considerado o melhor prato: uma criação cheia de sabor, onde a tradição do peixe seco, com a raia, o próprio berbigão e um apontamento de enguia, fez prevalecer todo o sabor da região”, afirmou Louis Anjos.
Entre os critérios considerados ao longo das provas estiveram a apresentação e empratamento, sabor e aroma, pontos de cozedura e texturas, valor económico, execução comercial e harmonia, bem como o acondicionamento dos produtos e outros aspetos técnicos relacionados com a execução dos pratos.
Para além da vertente competitiva, a 6.ª edição do Troféu Portugal contou ainda com um programa de sessões de debate com especialistas na área, promovendo a reflexão sobre a relação entre cozinha, território e mar.





Comentários