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"Queremos continuar a servir melhor a comunidade"

Nesta edição, entrevistámos Joaquim Paulo, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leça do Balio, que faz um balanço do trabalho desenvolvido nos últimos anos, aborda os principais desafios da corporação e revela os objetivos para o futuro. Da renovação

de equipamentos ao recrutamento de novos bombeiros, passando pela proximidade com a comunidade, o responsável deixa ainda um apelo à participação e ao apoio da população a uma instituição que considera ser uma referência no concelho.

Como chegou aos Bombeiros e à Presidência da Associação?

Sou presidente desde 2017 e estou atualmente no quarto mandato (2026–2029). Sou sócio da Associação Humanitária há cerca de 20 anos e, antes de assumir a presidência, desempenhei funções como presidente da Assembleia Geral. Esse percurso permitiu-me conhecer bem a instituição, a sua missão e os desafios que enfrenta.

Quando assumi a presidência, a Associação atravessava um período difícil. Foi necessário reorganizar a estrutura, renovar protocolos com a Câmara Municipal e outras entidades públicas e reforçar a sustentabilidade da instituição. Foi um grande desafio, mas também uma oportunidade para modernizar e fortalecer os Bombeiros.

Quais são os principais desafios da corporação atualmente?

Desde 2017 conseguimos alcançar progressos importantes. Reforçámos o efetivo, contando atualmente com mais de 60 bombeiros, entre profissionais e voluntários, o que permite assegurar uma resposta permanente, 24 horas por dia. Também recuperámos e melhorámos as instalações, abrindo os nossos espaços à comunidade para atividades culturais e associativas, e renovámos parte da frota, adquirindo várias viaturas de emergência e transporte.

O maior desafio continua a ser garantir recursos humanos suficientes e renovar os veículos de combate a incêndios urbanos e as ambulâncias, muitas delas já com vários anos de serviço. Precisamos igualmente de viaturas de reserva para assegurar uma resposta eficaz em qualquer situação.

Outro objetivo passa por continuar a aproximar a Associação da comunidade, promovendo atividades culturais, sociais e formativas que reforcem a ligação entre os Bombeiros e a população.

Quantos bombeiros integram atualmente a corporação?

Temos cerca de 60 elementos, entre bombeiros profissionais e voluntários.

Existem dificuldades no recrutamento e retenção de bombeiros?

Sim, são dificuldades sentidas por praticamente todas as corporações do país. No passado, os quartéis eram espaços de convívio e muitos jovens seguiam o exemplo de familiares que já eram bombeiros. Hoje, essa realidade mudou e é cada vez mais difícil captar novos elementos.

Além disso, existe uma forte concorrência entre corporações e muitos profissionais acabam por optar por instituições que oferecem melhores condições salariais. Sendo uma associação humanitária, dependemos de protocolos e apoios públicos, o que limita a nossa capacidade financeira.

Trata-se de uma profissão muito exigente, física e emocionalmente, sobretudo numa zona urbana como a nossa, onde as ocorrências são frequentes e muito diversificadas. É essencial continuar a valorizar a carreira de bombeiro e criar melhores incentivos para atrair e fixar profissionais.

Que investimentos têm sido feitos nos últimos anos para melhorar a capacidade de resposta?

Nos últimos anos houve um forte investimento, sobretudo por parte da Câmara Municipal de Matosinhos, através de protocolos que permitem financiar equipas operacionais permanentes. Este apoio tem sido essencial para garantir uma resposta eficaz à população.

Além dos recursos humanos, foram realizados investimentos na requalificação das instalações, na substituição do telhado e na aquisição de equipamentos e viaturas. Também o INEM reforçou o financiamento destinado ao transporte de doentes.

Apesar destes avanços, continua a ser necessário renovar a frota. As viaturas de combate a incêndios representam investimentos muito elevados e dificilmente podem ser adquiridas apenas com recursos próprios.

Quais são as ocorrências mais frequentes na área de intervenção?

A maioria das ocorrências está relacionada com a emergência pré-hospitalar, como doenças súbitas, quedas, acidentes domésticos, acidentes de viação e transporte de doentes para unidades de saúde.

Os incêndios urbanos também fazem parte da atividade diária, assim como outras intervenções, desde o controlo de vespas asiáticas ao resgate de animais.

A população idosa merece uma atenção especial, já que muitos idosos vivem sozinhos e os bombeiros são frequentemente o primeiro apoio em emergências.

Como descreve a relação entre os Bombeiros e a comunidade?

Hoje existe uma relação muito próxima. Nos últimos anos procurámos abrir ainda mais a Associação à comunidade, promovendo rastreios de saúde, ações de sensibilização, atividades culturais, aulas de informática, karaté e iniciativas dirigidas a crianças e seniores.

Servimos Leça do Balio, Custóias, parte de Guifões e Senhora da Hora, mantendo uma ligação próxima com juntas de freguesia, associações e comissões de festas.

Também contamos com o apoio de várias empresas, embora exista margem para reforçar essa colaboração, sobretudo junto do tecido empresarial instalado na região. Os bombeiros são um recurso essencial para toda a comunidade e esse reconhecimento deve traduzir-se também em apoio institucional e empresarial.

Quais são os objetivos da corporação para os próximos anos?

O principal objetivo é continuar a melhorar o serviço prestado à população. Pretendemos reforçar a formação especializada dos bombeiros, aumentar os recursos humanos e renovar a frota, sobretudo com viaturas preparadas para responder às exigências das ocorrências urbanas e situações de maior complexidade.

Queremos continuar a evoluir para prestar um socorro cada vez mais rápido, eficaz e seguro.

Do que mais se orgulha no trabalho desenvolvido?

O maior orgulho é o trabalho de equipa desenvolvido ao longo destes anos. Conseguimos reforçar o efetivo, melhorar a capacidade de resposta, recuperar instalações, renovar equipamentos e fortalecer a relação com a comunidade.

Tudo isto foi possível graças ao diálogo permanente com o comando, os bombeiros, a Câmara Municipal e as juntas de freguesia.

Também me orgulha termos criado iniciativas sociais e culturais, como programas de férias para crianças, atividades de apoio à comunidade e projetos que aproximaram ainda mais os Bombeiros da população.

Que mensagem gostaria de deixar aos habitantes?

Gostaria de pedir à população que continue a apoiar os Bombeiros.

Temos cerca de três mil sócios, mas é importante que cada vez mais pessoas participem na vida da Associação. Esta é uma casa aberta à comunidade, disponível para colaborar em diversas iniciativas e sempre pronta para responder quando surge uma emergência.

O apoio da população é essencial para continuarmos a crescer e a prestar um serviço de qualidade.

Que mensagem deixa a quem está a pensar ingressar nos Bombeiros?

Ser bombeiro é muito mais do que uma profissão ou um voluntariado: é um compromisso com a comunidade e com a proteção da vida humana.

Quem ingressar nesta corporação encontrará uma instituição reconhecida, onde se promovem valores como o respeito, a lealdade, o espírito de equipa e o serviço ao próximo.

Os jovens terão aqui uma oportunidade de crescer, aprender e contribuir para uma missão de enorme importância. As portas estão abertas a todos os que queiram fazer a diferença.

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