Teatro Municipal de Matosinhos acaba de revelar programação da nova temporada
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Sob a direção artística de José Nunes, o Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery regressa às produções próprias com a estreia de Esquecimento Global, em coautoria com Luca Argel. Sara Barros Leitão, Rui Reininho, Cleo Diára, Pedro Burmester, Gisela João, Marta Ren e Marco da Silva Ferreira são alguns dos nomes que integram as propostas de programação até março de 2027

O Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery revela a sua programação para a nova temporada, entre setembro de 2026 e março de 2027. O novo ciclo destaca-se pela consolidação de um projeto artístico focado na criação contemporânea, no estreitamento de laços com a comunidade local e nas coproduções com criadores nacionais e internacionais de referência.
“O teatro e a música continuam a ser o coração desta programação, acompanhados pela dança, pelo cinema e por um conjunto de atividades de mediação que prolongam a experiência artística para além do palco”, refere José Nunes, diretor artístico do Teatro Municipal de Matosinhos. A programação contempla uma produção própria, 10 coproduções (sete no teatro e três na música), seis estreias e mais de 60 atividades que se refletem em mais de 140 sessões para o público em geral, famílias e comunidade escolar. Durante estes sete meses, o Teatro acolhe ainda o regresso de festivais, como o FIMP – Festival Internacional de Marionetas do Porto e O Meu Primeiro FITEI.
“O Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery tem vindo a afirmar-se de forma consistente como um espaço central na dinâmica cultural do concelho e da região. A programação que agora apresentamos reflete o compromisso do Município de Matosinhos com uma política cultural exigente, plural e aberta, que valoriza a criação artística contribuiu para o desenvolvimento de um ecossistema cultural sólido”, refere Fernando Rocha, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos.
Integrado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), o Teatro Municipal de Matosinhos inicia esta nova etapa beneficiando de modernizações técnicas e operacionais recentes, tais como a introdução de cinema digital apoiada pelo PRR e novos equipamentos no âmbito do programa Norte 2030, promovendo condições de excelência tanto para os criadores como para o público.
Temporada arranca com o ciclo Maré Baixa
A nova temporada arranca em setembro com o ciclo Maré Baixa, que transforma o café-concerto num espaço de descoberta e proximidade, através de três concertos ao final da tarde. Do regresso do já habitual Choro no Nery, pelo Clube de Choro do Porto, aos “sons do sul” do projeto Patuá — que reúne alguns músicos da Orquestra Bamba Social —, até ao concerto de Susie Filipe com Em Tempo Real, este é um ciclo que convida a saborear o que resta do verão.
O regresso das produções próprias em coautoria com Luca Argel
Um dos pontos altos da rentrée cultural é o regresso às produções próprias do Teatro Municipal de Matosinhos com a estreia de Esquecimento Global a 6 de novembro. Um espetáculo que cruza teatro e música, desenhado em coautoria pelo diretor artístico do teatro, José Nunes, e pelo músico Luca Argel. Inspirada nos universos da Ópera do Malandro, de Chico Buarque, e da Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, a peça propõe uma reflexão satírica sobre a amnésia coletiva da sociedade civil.
“Estou entusiasmado com esse projeto por vários motivos. Sempre gostei de contar histórias através da música, mas nunca me aventurei muito no mundo dos musicais, nem da música para teatro. Poder participar de todo o processo de criação deste espetáculo com o José Nunes, desde a raiz, e depois subir ao palco para cantar com o elenco, parece-me muito divertido! Especialmente tendo como ponto de partida uma obra como a Ópera do Malandro, que eu adoro, e que sempre esteve na minha prateleira de referências”, refere Luca Argel.
Sete coproduções no teatro e uma viagem na dança até ao universo de Marco da Silva Ferreira
O teatro contemporâneo ganha, nesta temporada, especial fôlego, através de textos e abordagens que aprofundam temas sociais e históricos urgentes, com destaque para as sete coproduções. A abrir a temporada, a 1 de setembro, em coprodução com o Teatro Oficina, Bruno dos Reis e Gaya de Medeiros apresentam Seta Cegonha, um espetáculo que “acontece” durante uma viagem de automóvel entre Guimarães e Matosinhos e no percurso inverso.
Promised Valley, de Mickaël de Oliveira / Coletivo 84, sobe ao palco do Teatro Municipal de Matosinhos, nos dias 25 e 26 de setembro. O espetáculo é uma exploração cénica sobre as utopias falhadas e os territórios de esperança, questionando as promessas do mundo contemporâneo e o isolamento geográfico e emocional. Já Sara Barros Leitão apresenta, a 9 e 10 de outubro, o seu mais recente espetáculo Nós, Sozinhas, uma peça central que antecipa a celebração dos 20 anos de despenalização do aborto em Portugal, cruzando a esfera pública e a intimidade das decisões privadas através de uma escrita acutilante e documental.
A 21 de novembro, Cleo Diára estreia Please, Love Me, um solo que aborda as dinâmicas de identidade, pertença e a vulnerabilidade do corpo negro no espaço público e artístico, fundindo a performance e a urgência biográfica. Nos dias 3 e 4 de dezembro, a companhia A Turma apresenta a sua mais recente criação A Experiência. Com encenação de António Parra, a peça parte da dramaturgia clássica de Maxim Gorky e analisa as fraturas das classes sociais e o impacto da mudança política na psicologia individual e coletiva.
Em 2027, o Teatro Municipal de Matosinhos acolhe duas estreias teatrais que resultam também de duas coproduções. A primeira é A Festa, com encenação de Nuno M. Cardoso, que explora as convenções sociais e os rituais de celebração familiares, revelando as tensões e os segredos escondidos sob a capa da normalidade. Em cena, de 22 a 24 de janeiro. Segue-se Ocupação da Ocupação para o Fim, de Nuno Preto / Colectivo Espaço Invisível, que se estreia a 19 de março: uma proposta que pretende discutir o espaço público, o direito à cidade e as formas de resistência artística face à gentrificação e ao esquecimento.
Ainda no teatro, destaque para dois acolhimentos relevantes. Blackface, no dia 26 de fevereiro, um espetáculo a solo, escrito e encenado por Marco Mendonça, que procura debater os limites do que pode (ou não ser) ser representado em palco. Outra das peças é Menina Júlia, de August Strindberg. Uma criação do Lama Teatro, protagonizada por Helena Caldeira e João Jesus, para ver no dia 5 de março de 2027.
Na dança, o destaque vai para Marco da Silva Ferreira que, no dia 2 de outubro, apresenta Fantasie Minor. Um espetáculo em que o coreógrafo desafiou dois bailarinos de dança urbana a partilharem o espaço ao som de Fantasia em F menor de Schubert.
Música: Carta Branca…a Rui Reininho e grandes regressos
No plano musical, o Teatro Municipal de Matosinhos aposta na diversidade de géneros e na apresentação de projetos inéditos. Depois do convite a Marta Ren, é a vez de Rui Reininho, numa coprodução agendada para 18 de setembro, ter “Carta Branca” para imaginar e conceber um concerto inteiramente inédito e desenhado de raiz para esta sala. No dia 23 de outubro, também em coprodução, o Omniae Large Ensemble, dirigido por Pedro Melo Alves, sobe ao palco do Constantino Nery, cruzando composição contemporânea e improvisação jazz, numa das propostas mais inovadoras da música portuguesa da última década. A celebração da "maioridade" do Constantino Nery, no seu 18.º aniversário, faz-se com a voz inconfundível de Gisela João (14 de novembro) e o seu álbum de homenagem Inquieta.
Já Marta Ren regressa, em coprodução, ao Constantino Nery com duas datas, nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2027, para lançar em exclusivo, e quando celebra 30 anos de carreira, o seu muito aguardado novo disco de estúdio, Here I Am. No dia 6 de março, é a vez de Iolanda, que venceu o Festival da Canção em 2024, apresentar o seu novo espetáculo, com direção musical de Gui Salgueiro. O “cartaz musical” em 2027 conta ainda, entre outras propostas, com o pianista Pedro Burmester a partilhar ao vivo a sua leitura renovada das Variações Goldberg, de Johann Sebastian Bach (19 de fevereiro de 2027), ou o Sexteto de Jazz de Lisboa, que vem ao Nery revisitar 40 anos de composições, de ‘estrada’ e de vida, integrando, da formação inicial, nomes como Mário Laginha ou Mário Barreiros, naquela que é a única data a norte do país (12 de março de 2027).
Regresso regular do cinema ao Nery e novas parcerias com festivais
Esta temporada vai ser marcada também pelo regresso do cinema de forma regular ao Nery, uma terça-feira por mês. Entre setembro e dezembro, é possível assistir a alguns dos filmes nacionais mais relevantes estreados nos últimos dois anos, como Entroncamento, de Pedro Cabeleira; Projeto Global, de Ivo M. Ferreira, ou Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco, vencedor do Prémio Sophia de Melhor Filme de Comédia em 2026 e que integra a programação de aniversário do Nery. Já a partir de janeiro, o Teatro Municipal de Matosinhos abre as propostas ao cinema brasileiro, com alguns filmes de projeção mundial, como Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, ou Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho. Durante estes meses, o Constantino Nery expande ainda as suas parcerias a festivais de cinema como o Porto/Post/Doc, em novembro, ou IndieJunior Porto, em janeiro de 2027.
Proximidade às estruturas locais
Um dos focos da programação passa pela proximidade com estruturas locais e da Área Metropolitana do Porto. Exemplo disso é o concerto de Páscoa, no dia 25 de março, protagonizado pelo Quarteto de Cordas de Matosinhos, que comemora o bicentenário da morte de Ludwig van Beethoven. Este momento conta com a participação do artista visual João Alexandrino (JAS), que desenvolverá desenhos em tempo real, em total simbiose com a música. No dia 5 de dezembro, o Teatro Municipal Constantino Nery volta a acolher o ciclo Novos Talentos do Jazz, uma iniciativa da Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) inteiramente dedicada a revelar alguns dos melhores solistas emergentes do jazz.
Atividades de mediação para famílias e comunidade escolar
O Teatro Municipal de Matosinhos continua a promover inúmeras atividades de mediação que pretendem aproximar, formar e fidelizar públicos. Até março de 2027, há visitas guiadas ao Teatro, oficinas e ateliês para famílias, ensaios abertos para conhecer os bastidores de algumas das criações, como a produção própria Esquecimento Global, ou a coprodução com Marta Ren. Um vasto leque de propostas dirigidas às famílias e à comunidade escolar.




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