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46 anos a acelerar em Matosinhos

Há espaços que fazem parte da identidade de um concelho e atravessam várias gerações. O Kartódromo do Cabo do Mundo é um desses exemplos. Presente em Matosinhos desde 1978, tornou-se uma referência do desporto motorizado e um ponto de encontro para milhares de praticantes e entusiastas.

Ao longo de quase cinco décadas, por esta pista passaram alguns dos principais nomes do automobilismo nacional, mas também famílias, grupos de amigos, empresas e jovens que aqui tiveram o primeiro contacto com o karting.

O Notícias de Matosinhos falou com Paulo Duarte, gerente do Kartódromo do Cabo do Mundo, para conhecer melhor a história deste espaço, os desafios atuais, a ligação ao concelho e os projetos pensados para o futuro.

 

O Kartódromo já faz parte da paisagem de Matosinhos há várias décadas. O que representa esta ligação tão forte ao concelho?

O Kartódromo do Cabo do Mundo está aqui desde 1978 e a empresa foi fundada em 1980. São já 46 anos de ligação ao município. Foi o primeiro kartódromo permanente construído em Portugal e tem uma história muito forte ligada ao desporto motorizado.

Praticamente todos os grandes pilotos nacionais passaram por cá, como Pedro Lamy ou Filipe Albuquerque. Muitos dos jovens que começaram aqui são hoje pais e avós e regressam com os filhos e os netos. Já existe uma ligação de várias gerações.

Hoje, devido às limitações relacionadas com o ruído, estamos mais direcionados para os karts de aluguer e para o lazer. Ainda assim, continuamos a trabalhar diariamente para melhorar o espaço e o serviço.


Considera que o Kartódromo já é um dos símbolos desportivos de Matosinhos?

Acho que sim, mas continuamos a trabalhar para que seja cada vez mais reconhecido como um espaço de referência no concelho.

O que sente quando vê diferentes gerações a passarem por cá?

É um grande orgulho. Já estamos a receber a terceira geração de algumas famílias. Quando um avô traz o neto, é sinal de que o gosto pela modalidade foi passando de geração em geração. É também muito gratificante ver jovens a começar agora. Quem sabe se algum deles não será um piloto de destaque no futuro?


Qual é o segredo para se manterem durante tantos anos?

É trabalhar todos os dias e tentar melhorar sempre. Não conseguimos fazer grandes alterações nas infraestruturas porque estamos rodeados por habitações, mas podemos melhorar o serviço.

Comprámos recentemente uma nova frota de karts e recebemos muitas famílias, grupos de amigos e empresas para atividades de team building. O nosso objetivo é que as pessoas sejam bem recebidas, se divirtam e tenham vontade de voltar.


É esse bom serviço que faz as famílias regressarem?

Sem dúvida. Existem outros kartódromos na região, alguns mais recentes e modernos, por isso temos de nos distinguir pelo serviço. Muitas pessoas vêm pela primeira vez e a nossa intenção é que gostem, regressem e tragam amigos.


Qual foi o momento mais importante da história do Kartódromo?

Houve muitos momentos importantes. Nos anos 80 recebemos uma prova internacional e, ao longo do tempo, o espaço passou por várias remodelações. Mas o mais importante é o presente. Temos de trabalhar hoje para que amanhã seja melhor, sem ficar parados no tempo.


Que feedback recebem das pessoas?

O feedback tem sido muito positivo. No início de cada ano existe sempre algum receio, porque o karting é uma atividade de lazer e, em períodos de maior dificuldade económica, os hobbies são das primeiras despesas que as pessoas reduzem.

O facto de continuarmos a receber muitos clientes diariamente é sinal de que o nosso trabalho está a ser reconhecido. Mas temos de continuar sempre a evoluir.


Que provas organizam atualmente?

Organizamos vários troféus de karting amador. O principal é a Cabo do Mundo Cup, que tem sete provas ao longo do ano. Recebemos também outros troféus e grupos organizados, por isso temos bastante atividade durante todo o ano.


Quantos participantes reúne a Cabo do Mundo Cup?

Normalmente, cada prova reúne entre 100 e 120 participantes. Ao longo das seis primeiras provas, já tivemos cerca de 250 pilotos diferentes.


Existe interesse dos jovens pelo karting de competição?

Existe bastante interesse, mas a parte financeira é um grande obstáculo. Há jovens com talento que não têm possibilidade de competir a um nível mais elevado. O karting amador é muito mais acessível. Com algumas centenas de euros por ano, uma pessoa consegue participar em vários troféus, competir e divertir-se.


Que impacto tem a Cabo do Mundo Cup na promoção da modalidade?

É muito importante. Entre os muitos participantes, há sempre alguns que decidem tentar passar para a competição. Temos pilotos desde os 12 ou 13 anos até aos 60 ou 70. Além da competição, criam-se amizades e até contactos profissionais. Há pessoas que se conhecem aqui e acabam por fazer negócios ou estabelecer parcerias.


Existem pacotes especiais para grupos ou empresas?

Sim. Temos o aluguer individual, por ordem de chegada, e programas para grupos, empresas, aniversários e despedidas de solteiro. A partir de 12 participantes, a pista fica reservada em exclusivo. Fazemos uma simulação de um Grande Prémio, com treinos cronometrados, grelha de partida e corrida final.


Há pilotos que tenham começado aqui e seguido uma carreira relevante?

Temos, por exemplo, Noah Monteiro, que começou cá e já está na Fórmula 4. Tivemos também outros jovens que chegaram à Fórmula 3 e à Fórmula 2. Ao longo dos anos passaram por aqui pilotos como Pedro Lamy, Filipe Albuquerque e Pedro Couceiro. Na década de 1980, esta era a única pista permanente em Portugal e, por isso, praticamente todos os pilotos vinham cá treinar e testar.


Como imagina o futuro do Kartódromo?

O futuro passa por continuar a investir na vertente de lazer e na formação. Temos uma escola de karting e consideramos importante ensinar os mais jovens. Um miúdo que comece a conduzir um kart aos 12 anos pode tornar-se, mais tarde, um condutor mais consciente, com melhores reflexos e maior noção dos riscos da estrada.


Que novidades podemos esperar?

Estamos a estudar a instalação de um sistema eletrónico que permita sinalizar acidentes e reduzir automaticamente a velocidade dos karts.

Também queremos substituir os pneus por barreiras de proteção homologadas, semelhantes às utilizadas em provas internacionais. São investimentos importantes porque a segurança de quem nos visita é a nossa principal preocupação.


Que convite deixa a quem nunca experimentou?

O karting é uma modalidade divertida, irreverente e cheia de adrenalina. É preciso experimentar. Acredito que quem vier vai gostar, divertir-se e ficar com vontade de voltar.

 

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