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"Queremos que os cidadãos vejam a Polícia Municipal como alguém que está aqui para os ajudar"

À frente da Polícia Municipal de Matosinhos desde 2003, o comandante António Salgado Rosa faz um balanço do trabalho desenvolvido ao longo de mais de duas décadas, fala sobre os desafios atuais do policiamento municipal, a relação com a população e destaca os projetos de proximidade que fazem da instituição uma referência no apoio aos cidadãos mais vulneráveis.

Comandante António Salgado Rosa, da Polícia Municipal de Matosinhos
Comandante António Salgado Rosa, da Polícia Municipal de Matosinhos

Como chegou à Polícia Municipal de Matosinhos?

Cheguei à Polícia Municipal de Matosinhos em novembro de 2003, depois de ter passado pela Polícia Municipal do Porto. Na altura, o então presidente da Câmara, Narciso Miranda, convidou-me para integrar este projeto, que estava a dar os primeiros passos. O objetivo era ajudar a organizar e estruturar a nova Polícia Municipal. Era um desafio importante e aceitei-o com muito entusiasmo.


Ainda há quem desconheça as funções da Polícia Municipal. Qual é, afinal, o seu papel?

A principal missão da Polícia Municipal é garantir o cumprimento das normas municipais no âmbito administrativo. Temos competências na fiscalização do trânsito, do ambiente, do urbanismo, no apoio a eventos na via pública, na segurança dos transportes públicos e das escolas, entre outras áreas.

Importa esclarecer que não fazemos investigação criminal nem asseguramos a ordem pública, competências que pertencem às forças de segurança nacionais, como a PSP e a GNR. Apenas intervimos nessas áreas quando somos solicitados para colaborar.


Como descreve a relação da Polícia Municipal com a população?

De uma forma geral, é muito positiva. Naturalmente, como temos uma função fiscalizadora, nem sempre é fácil agradar a todos. Ainda assim, privilegiamos sempre o diálogo e a sensibilização antes da punição, sempre que possível.

Existem, no entanto, infrações relativamente às quais somos particularmente rigorosos, como o estacionamento em segunda fila, nos passeios ou em lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida. Nesses casos, não facilitamos.

Ao mesmo tempo, investimos muito no policiamento de proximidade através de programas dirigidos aos idosos, aos comerciantes e às escolas, o que nos permite criar uma relação de confiança com a comunidade.

 

Um desses programas é o de apoio à terceira idade. Quantas pessoas acompanham atualmente?

Neste momento acompanhamos 103 idosos em situação de maior vulnerabilidade. Não significa que sejam os únicos que necessitam de apoio, mas procuramos garantir um acompanhamento de qualidade às pessoas que vivem sozinhas, têm problemas de mobilidade ou não possuem qualquer retaguarda familiar.

Realizamos visitas regulares, contactos telefónicos diários, ajudamos na gestão da medicação, vamos buscar medicamentos às farmácias, acompanhamos alguns idosos ao levantamento das reformas para evitar burlas e, quando necessário, prestamos apoio na entrega de refeições.

O nosso principal objetivo é proporcionar segurança, tranquilidade e combater o isolamento.

 

Como avalia a evolução da segurança em Matosinhos nos últimos anos?

Matosinhos continua a ser um dos concelhos mais seguros da Área Metropolitana do Porto. Os indicadores de criminalidade mantêm-se baixos e não temos registado aumentos significativos.

É verdade que, ocasionalmente, surgem fenómenos pontuais, como uma sequência de furtos numa mesma rua, mas isso não representa necessariamente um crescimento da criminalidade. São situações isoladas que acabam por inflacionar momentaneamente os números.


Quais são os maiores desafios que a Polícia Municipal enfrenta atualmente?

O principal desafio continua a ser a escassez de recursos humanos. Recebemos diariamente pedidos de intervenção de todo o tipo e muitas pessoas ligam primeiro para a nossa central antes de contactar a PSP ou a GNR.

Isso demonstra que existe confiança na Polícia Municipal, mas também aumenta a nossa responsabilidade.

Temos atualmente um concurso para a entrada de mais 20 agentes, o que permitirá reforçar significativamente a nossa capacidade de resposta

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Quantos agentes integram atualmente a Polícia Municipal?

Temos atualmente 53 agentes. No entanto, como trabalhamos por turnos e existem férias, folgas, licenças e comparências em tribunal, o efetivo disponível diariamente ronda apenas três dezenas de elementos.

O objetivo ideal seria atingir cerca de 100 agentes, embora reconheça que isso implica um investimento muito elevado. Com a entrada dos novos elementos passaremos para 73 efetivos, o que já permitirá melhorar bastante a nossa capacidade operacional.

 

Como funciona a articulação com a PSP e a GNR?

Existe uma excelente relação institucional e também pessoal entre todas as forças de segurança. No dia a dia, sempre que é necessário, basta um contacto telefónico para coordenarmos operações ou solicitarmos apoio mútuo. Além disso, reunimos regularmente no Conselho Municipal de Segurança, onde alinhamos estratégias e partilhamos informação relevante.

 

A presença da Polícia Municipal ajuda efetivamente a prevenir a criminalidade?

Sem dúvida. Há crimes que conseguimos contabilizar, mas há muitos outros que nunca chegam a acontecer precisamente porque existe policiamento visível.

Temos exemplos concretos de zonas onde reforçámos o patrulhamento e onde os crimes diminuíram significativamente. A presença dos agentes funciona como um forte elemento dissuasor.

  

Que tipos de ocorrências são mais frequentes em Matosinhos?

Os crimes mais comuns continuam a ser os furtos, sobretudo no interior de veículos, e outros crimes contra a propriedade.


As muitas obras em curso no concelho têm aumentado o trabalho da Polícia Municipal?

Muito. As obras provocam alterações profundas na mobilidade e obrigam-nos a reforçar a presença no terreno para garantir a segurança de trabalhadores e automobilistas.

Além disso, temos de fiscalizar os percursos alternativos e assegurar que o estacionamento irregular não agrava ainda mais os problemas de circulação.

 

Recentemente decorreu uma cerimónia de homenagem e promoção de agentes da Polícia Municipal. Que significado teve esse momento?

Tratou-se da imposição de insígnias aos agentes promovidos, algo que faz parte da evolução normal das carreiras.

É uma forma de reconhecer o mérito, valorizar o trabalho desenvolvido e incentivar todos os profissionais a continuarem a desempenhar as suas funções com dedicação.

 

Depois de mais de vinte anos à frente da Polícia Municipal de Matosinhos, do que mais se orgulha?

Acima de tudo, da equipa que tenho.

Desde os dirigentes aos agentes, todos demonstram uma enorme dedicação, mesmo perante a exigência diária da profissão.

Também me orgulho de ter ajudado a construir uma Polícia Municipal sólida e organizada. Quando cheguei, a estrutura estava a nascer. Hoje funciona de forma autónoma e eficiente. Esse é, provavelmente, o maior legado que posso deixar.


Que mensagem gostaria de deixar à população?

Gostaria que os cidadãos olhassem para os polícias como pessoas que estão ao seu lado e que trabalham para os ajudar.

Vivemos tempos em que é cada vez mais difícil lidar com determinadas situações, mas os nossos agentes continuam diariamente na rua ao serviço da comunidade.

O que peço é que confiem na Polícia Municipal e que nos vejam como parceiros na construção de uma cidade mais segura para todos.

 



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