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HA Saúde: Fisioterapia que transforma vidas em Matosinhos

Em plena pandemia de Covid-19, a fisioterapeuta Susana Costa arregaçou as mangas e contra todas incertezas da altura, abriu a HA Saúde em Matosinhos. Entre a vida de empresária e de mãe, Susana lutou pelos seus sonhos e passados quatro anos o negócio cresceu e são agora uma referência na área da Fisioterapia. O NM esteve à conversa com a proprietária e descobriu de perto o consultório que tem vindo a transformar a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes da região.

Como é que surgiu a HA Saude?

A HA Saúde surgiu durante a pandemia de Covid-19, em 2021. Estávamos na terceira fase, quando as pessoas começaram finalmente a sair mais. Trabalhava numa entidade privada conhecida em Matosinhos, mas decidi sair para abrir o meu próprio espaço. Na altura, as pessoas diziam que eu era inconsciente por querer arriscar num período tão incerto, mas eu acreditava no meu trabalho e pensei: “Se não resultar, não há problema. Pelo menos tentei.” Comecei apenas com uma pequena loja: um espaço para as aulas de pilates e um gabinete de tratamento. À medida que as pessoas foram conhecendo o meu trabalho, o número de pacientes foi crescendo e tive necessidade de aumentar o espaço. Mais tarde, surgiu a oportunidade de ficar com a loja onde estamos hoje, juntando tudo no mesmo local: fisioterapia e pilates clínico.


Como se deu essa expansão?

A procura foi aumentando. Primeiro tive de alugar um espaço adicional porque as aulas de pilates começaram a encher. Depois, com o aumento do número de pacientes, migrei para o espaço atual, maior e mais acolhedor, com dois andares: pilates de máquinas em cima e pilates de solo em baixo, com balneários e casa de banho. A nossa evolução profissional foi enorme. Em Matosinhos, muitos já nos conhecem pelo trabalho — chegam aqui porque alguém disse “vai ao Bruno” ou “vai à Susana”. Além de nós os dois, temos outros fisioterapeutas que trabalham em outras especialidades dentro da fisioterapia.


Porque juntou a fisioterapia ao pilates clínico?

Porque a fisioterapia, sozinha, muitas vezes não chega. As pessoas não conseguem evoluir sem exercício. Para resultados duradouros, é preciso manter

movimento e atividade física. Há movimentos simples que não fazemos no dia a dia, como levantar o braço acima da cabeça. Quando pedimos isso aqui, muitos percebem que já não conseguem. Temos também pessoas jovens com limitações graves, muitas relacionadas com um estilo de vida stressante: passam muito tempo sentadas a trabalhar por longos períodos, sem qualquer atividade física, ou até mesmo realizam exercícios e desporto com excesso de carga, sem preparação física adequada. Quando fazemos uma avaliação, elas percebem não conseguem fazer metade do que imaginavam. Por isso trabalhamos várias vertentes da fisioterapia: Musculo-esquelética, pélvica e Dermato funcional, pilates, nutrição e psicologia. É impossível tratar certas patologias apenas com fisioterapia — por exemplo, alguém que pesa 150 kg e está perto de colocar uma prótese. Posso aliviar a dor, mas ela volta. É preciso trabalho multidisciplinar.


Quantas pessoas compõem a equipa fixa?

Somos quatro: Como fisioterapeutas eu, o Bruno e a Beatriz (Fisioterapeuta Pélvica) e a Maria José (Administrativa). Depois temos mais seis no pilates, nutricionista psicóloga, fisioterapia pélvica e dermatofuncional.

Como é feito o processo quando o paciente chega à clínica?

Depende da área:

-> Se for fisioterapia pélvica, vai diretamente para a fisioterapeuta Beatriz.

-> Dermato-funcional vai para a Sara.

-> Musculoesquelética vai para mim ou para o Bruno.

Quando é alguém que procura pilates, faço uma avaliação inicial: objetivos, limitações, mobilidade, se consegue deitar no chão, etc. Depois encaminho para a colega responsável pelas aulas. Trabalhamos tudo através de um software onde ficam registados os dados e evolução dos pacientes.


Quantas pessoas há por aula?

No pilates de equipamentos, máximo de 4 pessoas. No pilates de solo, máximo de 6. Mantemos o número de pessoas reduzidos para garantir acompanhamento

individualizado.


Existe seguimento após o fim da fisioterapia?

Sim. Após o tratamento, quando o paciente está sem dor, marcamos um retorno passado um mês. Se algo reaparecer, já sabem onde nos encontrar. Com os mais jovens ou atletas, fazemos ainda um plano de exercícios personalizados, com imagens e instruções detalhadas, que o paciente pode continuar em casa.

Quais são as patologias mais comuns?

Trabalhamos sobretudo ombro, anca e coluna. Temos muitos pacientes mais velhos, mas também muitos jovens e atletas — especialmente devido às parcerias com ginásios, crossfit e modalidades como padel e boxe.


Quais são os maiores desafios?

O custo inicial pode ser um entrave: a consulta é 50€, mas com packs contínuos

pode ir até 40€. No entanto, os pacientes acabam por perceber que o valor compensa — porque o objetivo é eliminar a dor, e não apenas tratá-la superficialmente. Outro grande desafio é a imagem deixada pelo SNS. Muitas pessoas fazem fisioterapia no SNS, não têm resultados porque os profissionais são obrigados a tratar vários pacientes ao mesmo tempo, e concluem que “fisioterapia não funciona”. Mas isso não é verdade — apenas não é possível fazer um bom trabalho nessas condições.


Como concilia a maternidade com a gestão da clínica?

É o meu maior desafio. Tenho dois filhos: uma com sete anos e um com quatro.

Quando abri a clínica, o mais novo tinha acabado de nascer. Gerir um espaço sem recursos humanos, tratar pacientes, organizar agendas e ainda cuidar da vida familiar… é muito difícil. Durante muito tempo privei-me de estar com os meus filhos. Por isso contratei o Bruno, para me ajudar e devolver-me algum equilíbrio. Depois veio a Maria José, que me tirou um enorme peso administrativo. Ainda assim, a rotina é exigente: buscar os miúdos, levar às atividades, voltar à clínica se for preciso… é um esforço grande.


Porque escolheu Matosinhos para a clínica?

Porque vivo aqui, os meus filhos estudam aqui e fazia todo o sentido investir

na comunidade onde pertenço.


Que objetivos tem para os próximos anos?

Queremos trabalhar diretamente com médicos dentro da clínica, sobretudo na área de infiltrações e acompanhamento ortopédico. Há situações em que seria essencial ter o médico a intervir rapidamente — atletas, próteses, problemas articulares — e estamos a estudar essa expansão.


Há alguma mensagem que gostaria de deixar?

Sim. O nosso foco na HA Saúde é ajudar a comunidade de Matosinhos a melhorar o estilo de vida, desmistificando a ideia de que fisioterapia é “como no SNS”. Aqui trabalhamos com tempo, atenção e personalização — uma hora por paciente — porque só assim há resultados reais. E quero também destacar o papel do empreendedorismo feminino. Conciliar filhos com a gestão de um negócio é difícil. Há momentos em que a mãe é insubstituível e a logística torna-se desafiante. Mas é possível.

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