José Carvalho: "Proximidade é a nossa bandeira"
Com quase três décadas de experiência na gestão de condomínios, José Carvalho acompanhou de perto a evolução do setor e os desafios de um mercado cada vez mais exigente e competitivo. O sócio-gerente da MTSAGI falou ao NM sobre o percurso da empresa e a importância da proximidade com os clientes.

Como é que surgiu a MTSAGI e como olha hoje para o percurso ao longo destes anos?
Ela já existia, como MTS Condomínios. Passaram uns redondos 28 anos. Eu assumi 50% da quota da empresa, com um outro sócio que já saiu há mais de 15 anos. Quando eu entrei, deveria ter 40 prédios, e depois começou a crescer sempre. O mercado mudou muito, as pessoas estão difíceis, a concorrência é forte e desleal e não tem qualidade, a vários níveis, a nível do serviço que presta e a nível dos valores que cobra de honorários.
Que tipo de problemas encontram com mais frequência?
O grosso é reabilitação de telhados, fachadas. As pessoas pensam que compram um edifício e aquilo é eterno, mas não é. Até porque o regime e as boas práticas da construção, deveriam obrigar que se fizessem obras nos edifícios de 8 em 8 ou de 10 em 10 anos, que é o que diz a lei. Só que as pessoas não têm dinheiro para isso. Ou pagam a prestação, ou pagam obras.
Como conseguem dar a volta a isso?
O que nós fazemos é que cotizamos durante X anos, um valor para fazer reabilitação. E é assim que nós conseguimos fazer os trabalhos e as reabilitações de edifícios. Nem todos os prédios têm tantas condições financeiras, depois arrasta-se um bocadinho e vamos fazendo, aos poucos.
Quantos condomínios é que a empresa gere?
120, já é um volume elevado. Não tenho mais porque também abrandei um bocadinho. O passa-palavra de uma pessoa que está satisfeita com o nosso serviço é enorme. Eu, neste momento, tenho três edifícios que vão vir para nós porque o passa-palavra das pessoas que estão satisfeitas com o nosso trabalho nesses edifícios é importante.
Quantas pessoas trabalham na MTSAGI?
Tenho uma equipa de sete pessoas: cinco no escritório, contando comigo, e duas na rua. A nível de pagamento de salários e fornecedores, é com a Contabilidade. Agora, a rua é tudo comigo, porque cada vez mais é difícil arranjar gente de confiança para trabalhar. Se eu não for ao prédio durante o período da obra, há chatices. E se a empresa tiver uma clientela certinha, o telefone vai tocar sempre.
E que tipos de condomínios é que vocês gerem?
De todo o tipo, média gama, alta gama, baixa gama. Temos edifícios com porteiros, com piscina, sem piscina, ou com 5 ou 6 frações. Depois temos edifícios de 50 a 300 frações.
Hoje em dia, os clientes estão mais atentos à qualidade e à capacidade de resposta ou ainda olham muito ao preço?
A tudo. Olham ao preço, olham à capacidade de resposta e olham à qualidade. O nosso serviço é este: nós viemos cá todas as semanas, viemos cá quando for preciso, não cobramos as deslocações. Ao fim de semana também estamos disponíveis. É o nosso trunfo grande na vida e no percurso da empresa: é a proximidade. Você chegar a casa ao final do dia, tem um portão avariado, nós vamos lá ainda no mesmo dia.
Depois de mais de 20 anos ligado a Matosinhos, que importância tem para a sua empresa manter a proximidade com os clientes e com o território?
A proximidade é importante. Para além da maior parte em Matosinhos, tenho meia dúzia de prédios na Maia. Em Águas Santas tenho três, em Pedrouços tenho um. E depois tenho um há 22 anos em Oliveira do Douro. Um colaborador com uma carrinha, todas as semanas, mata os serviços facilmente, porque eles estão todos quase encadeados uns nos outros. E depois, a proximidade das pessoas também, os nossos escritórios são de fácil acesso e há muitos transportes. Mas mesmo estar perto das pessoas foi a nossa bandeira foi essa.
Quais são os objetivos para os próximos anos?
Os objetivos são manter o que tenho, é não crescer muito mais do que temos, porque eu também já não tenho idade para isso. Se duas pessoas que trabalham ali quiserem continuar, eu saio e eles ficam com isto. Obviamente, enquanto eu for vivo, ficam sempre um bocadinho sobre a minha tutela, mas eles fazem o que quiserem. Eu vivo isto como se fosse a melhor coisa que eu tivesse no mundo. Eu venho cá todos os dias, mesmo ao fim de semana. Agora, as expectativas não é fechar, mas daqui a cinco ou seis anos, mais tardar, menos presente, mas acompanhando ao segundo ou ao minuto.





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